O advogado do traficante colombiano Juan Carlos Abadía, Sergio
Alambert, vai para os Estados Unidos nesta terça-feira a fim de se
encontrar com representantes do governo norte-americano para tratar da
agilização de um possível processo de extradição. O criminalista
também manterá contato com o escritório do advogado Jeffrey Lichtman,
que representaria o traficante junto à Justiça dos EUA no caso de ele
responder aos crimes de que é acusado pelo governo norte-americano no
país. Também conhecido como "Chupeta", Abadía é acusado de ordenar 15
homicídios nos EUA, inclusive de policiais, e outros 300 na Colômbia.
Alambert afirmou à Reuters que Abadía, detido no presídio federal de
Campo Grande, chorou durante um encontro com ele na segunda-feira e fez
um desabafo sobre as rígidas condições do local de sua prisão.
"Ele (Abadía) falou 'já estive preso outras vezes, mas nunca em um presídio tão duro quanto este"', contou o advogado.
O traficante também expressou preocupação com sua família na Colômbia,
onde estão seus pais, filhos e outros parentes. De acordo com Alambert,
como é de praxe no presídio de segurança máxima de Campo Grande, Abadía
passará os 10 primeiros dias de prisão incomunicável e por 24 horas ao
dia dentro de sua cela.
Ele disse ainda que, após este período,
o colombiano poderá tomar duas horas de sol por dia e poderá também
estar na companhia de outros 10 a 15 detentos durante estes momentos.
Após ser preso em São Paulo na semana passada, Abadía foi transferido
para Campo Grande no fim de semana. A escolha do presídio foi realizada
por critério de segurança, assim como por questão processual, já que o
local se encontra dentro da competência do Tribunal Regional Federal da
3a Região, que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Abadía,
de 44 anos e líder do cartel do Vale do Norte, foi preso em um
condomínio de luxo em Aldeia da Serra, em Barueri na Grande São Paulo,
durante uma operação contra uma quadrilha internacional de narcotráfico
e lavagem de dinheiro.
O colombiano teve decretada pelo Supremo
Tribunal Federal a prisão preventiva "para fins da extradição formulada
pelo governo dos Estados Unidos". A prisão para extradição é o primeiro
passo para que o colombiano possa ser extraditado.
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